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ANIMAL-ANIMAL Cármen Rocha

" O cachorrinho... 
  
O gatinho...
      nossos companheiros de vida! "  -
Cármen Rocha

 

(crônica) 22/09/08

                 MEU GATO POETA - CR 

       Ele veio trazido pela empregada para ser doado...
Imediatamente, ao conhecê-lo, explodiu uma santa empatia entre nós. Ao pegá-lo, impressionada pela sua magreza, perguntei-me, como pode ser sustentada a vida em tão magro corpinho. Foi nesse momento que Tiana perguntou:
- Mãêê...qual o nome dele?
- Fiapo! - respondi, sem pensar, impressionada
por sua magreza e sentindo somente sua
espinha dorsal.
Fiapo me encantou por meses. Comeu por todos da casa juntos. Encorpou. E de suas sutilezas nada mais restou. Tomou corpo, ficou bravo, arranhou todo mundo,tive que usar uma braçadeira para proteger o braço arranhado. Não dava para ficar com raiva! Ele era tão engraçadinho! Era o nosso desassossego querido!
Foi ai que suas diabruras encantadoras tomaram vulto. Em pé puxando a toalha cheia de pratos... rasgando as rendas da vovó... Subia grade acima e descia de costas...quebrava os canecões de minha coleção... Todos os dias eu fotografava algumas de suas artes.Caramba! Era de espantar!
Foi aí que resolvi mudar seu nome para Caram-binha, meu mais louco amor! E neste estado de louca excitação passou meses, para nossa total e desmiolada alegria.
Nos últimos dias, no entanto, vejo-o sonhador... Fica horas na janela olhando o céu, nuvens passageiras... alguma borboleta distraída, ou uma simples flor em todas as suas cores. Somente sua cauda balançando, de lá para cá...
É um poeta! - pensei.
Foi quando a amiguinha de minha filha veio brincar em casa, e perguntou:
- Qual o nome dele?

-Drummond, respondi convicta.

********************************************** 

 VAMOS CASTRAR NOSSOS GATINHOS? E NÃO DEIXÁ-LOS PELAS RUAS?

  

PULG, UM CÃO MUITO SÉRIO   (crônica) - CR - coord. GCSP e GECP

 Pulg, era o apelido do meu cão de estimação. Na verdade nós o chamávamos assim, porque quando usávamos seu verdadeiro nome, ele nos olhava tão ofendido, que nos acostumamos a chamá-lo de Pulg – talvez ele tivesse razão... Bem, na verdade, o que eu queria mesmo contar era umas coisinhas que ele andou fazendo.
Era um cachorro de ótimo comportamento e discreto. Tinha o seu canto favorito e não entrava em casa,de forma nunhuma. Fazia-se entender somente para satisfazer suas necessidades básicas e pronto.
Foi aí que comecei a reformar a casa, e de lá para cá, as coisas foram mudando. Ah! Antes quero contar que Pulg é um lindo cachorro de porte grande, rosado, peludo, e encaracolado, comprado como mini-poodle legítimo.
Bem, apareceram os pedreiros para começar seu trabalho e precisavam deixar sempre a porta da frente aberta para passar com o material, e Pulg ia atrás, discretamente. Em dois minutos, ele alargou seu território. Do jardim passou para todo o andar térreo. Os pedreiros fizeram o segundo andar e, para facilitar, construíram uma ponte externa de acesso, com duas tábuas balouçantes. Pulg pensou que era para ele fazer a sesta. Regalava-se com um belo almoço e dormia na sua ponte preferida a quatro metros do chão. Como tinha, para prevenir possíveis complicações, conquistado todos os pedreiros, estes, totalmente enfeitiçados por ele, não o enxotavam dali.
O filho do mestre de obras, garoto preguiçoso e sonolento, ficava uns dez minutos equilibrando-se na ponte com uma pilha de tijolos na mão, pondo em perigo sua própria vida, para não acordar o querido Pulg. Aliás tinha-lhe uma inveja (de seu sono) respeitosa. Pulg percebendo seu domínio sobre todos, cochilava com um sorriso nos beiços.
Era a minha sombra, subia, ele subia descia, ele descia parava, ele parava.
Como a cozinha, meio da casa, e das atividades, tinha virado pracinha de altos piqueniques para ele, encontro, certo dia, apavorada, o meu cão preferido em cima da pia! Abanando a cauda, feliz da vida, com os olhos açucarados e redondos voltados para mim. Era uma criança apanhada em flagrante.
Perdi a respiração e num impulso intempestivo chamei-o pelo nome:
– Pulguento, já para fora!
Sentindo-se profundamente insultado, pulou para o chão, virou-me a fuça e durante uma semana não abanou mais o rabo para mim.

 Vamos castrar também nossos cachorrinhos?! E vaciná-los!     bjs au-au CR

CAFÉ E ARTEMÍSIA - por Silvana Boni  

          Ver imagem em tamanho grande     
    tema de julho - CAFÉ E ARTEMÍSIA 
 
 
    “ Oi, fofão-café, aí no       cesto...Quer         brincar     comigo?”
     “Promete que não vai me enfiar as unhas como fez com o pobre vizinho, Artemísia?”, respondeu-lhe a bola café, temerosa          .
“Já sabe meu nome e mal chegou, né? Foi o sofá quem contou, aposto! Mas, sou gata delicada nos tapinhas que dou. Brinca, vai... Aqui dentro não consigo fazer nada. Gosto mesmo das decisões tomadas quando ando nos telhados, só que não dá para sair. Miauu...”, pediu Artemísia. “Estou carente de amigos, por ficar trancada nessa casa o dia inteiro. Fico com vontade de brincar quando vejo que você é puxado para dentro de um tecido por dois palitos grossos, depois é arrastado pelo pescoço e fica cada vez menor, depois do pulinho que dá. É aí que eu tenho vontade de te salvar e sair correndo com você, mas tenho medo de ser enxotada. Isso é uma coleira? Ninguém faz isso comigo para brincar! Já vi que dá para puxar os fios do sofá, mas não consigo fazer com que ele pule!”
“Ah, sim, eu percebi suas tentativas e também seus olhos compridos para cima de mim. Quando eu morava na pele do carneiro, também gostava de pular, só que de modo diferente, gostava das cercas. Mesmo no escuro, eles conseguem me distinguir aqui no meio desse rebanho em que vivo agora. O sofá pôs suas barbas de molho. Não vai brincar com você.”Ver imagem em tamanho grande
Enquanto a conversa progredia lenta e na defensiva, Artemísia secretamente se preparava, ardilosa. Afiou as unhas. Lambeu as patas e as esfregou na cara, toda vaidosa. Depois disso, com calma piscou, espreguiçou-se languidamente e se levantou. Foi se esfregar na mesa de centro para coçar as costas, artifício não tão macio como gostaria, mas muito bom para uma aliviada. Rrrr...
Mais uma piscada marota, com o foco no cesto cheio de lã, agora distante uns dois metros, o suficiente para um bom e macio pulo. De repente, sem piscar aqueles olhinhos semi cerrados de prazer, atirou-se  com tudo no seu alvo!
“Ai! Bééé! Nem combinamos alguma coisa, ainda!”, disse a bola se esquivando sem sucesso. Em princípio tentou se proteger entre as outras, mas conseguiu escapulir da cesta e rolou se afastando.
 Foi então que o felino ensandeceu de vez!
“Achei você, amigo. Finalmente saiu!”, e pôs-se a correr atrás da bola.
Pulava e dava botes no infeliz novelo enrolado, apoiada nas patas traseiras e ele, ao se ver em maus pastos, enfiava-se nos lugares que conseguia. Assim, ora estava embaixo do sofá, ora atrás da porta! Essas mudanças de lugar, logo fizeram com que ele se atrapalhasse e se prendesse na cadeira e na mesa, apesar da solidariedade da mobília que, mesmo temendo  ser  obrigada a expor sua intimidade ao levantar a saia ou os pés, colaborava, correndo o risco de desabar. Tudo graças à danada!
O papo amistoso inicial foi esquecido, e mesmo se as duas tivessem combinado previamente alguma coisa, a gata só faria o que seu espírito selvagem decidisse.
A bola escapava para um canto e a gata ia atrás. Desviava para o lado e nada de se livrar da perseguição!
Um belo momento ouviu-se um forte barulho. No chão da sala jazia, estatelado, o enorme abajur,  dono de um único pé.
Ao lado, a surpresa! Dentro de um imenso emaranhado de lã a gata se debatia! Miaaauuu!!! Miaaauuu!!!
“Revanche! Nós te pegamos sua bandida! A união faz a força! Bé, bé, bé!” gargalharam todas as bolas, desfeitas durante a correria.
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CORUJA - Silvia Cabello Campos

Ver imagem em tamanho grandeNo soturno da noite, o pio sinistro  
se anuncia...                                          
Duas luzes arregaladas
Da bela coruja brasileira
Na noite estrelada.

 



Escrito por Cármen Rocha às 12h42
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ANIMAL- ANIMAL - Cármen Rocha

ASSASSINATO NO  AQUÁRIO           

Ver imagem em tamanho grande 

 

Cármen Rocha             

TEMA: ASSASSINATO ESTRANHO                 in  VINHOS MILONGAS

  Estava recostada no sofá, observando o aquário, meu passatempo favorito. A peixinha preta estava barrigudinha, por isso nadava pesadamente, e a todo instante escondia-se no seu canto favorito, no meio das pedras. Olhava-me com certa preocupação. Era lá que ela iria ter seus filhotes.
O aquário era uma beleza. Estava repleto de peixes, todos criados ali há uns três anos mais ou menos. Procriavam sem parar. Nenhum morria. Ambiente propício, equilibrado, o que me dava prazer e calma.
As algas verdes flutuavam e balançavam conforme o ar do oxigenador empurrasse a água.
As pedrinhas de tons claros: cinza, rosa e verde formavam passagens, reentrâncias e vãos. E no meio delas, peixinhos vermelhos e pretos mostravam uma convivência amena, bem sei, mas até certo ponto.
Para assegurar a vinda tranquila dos filhotes, comecei a aumentar a ração para que, satisfeitos, os peixes não abocanhassem os pequeninos.
Deveriam nascer uns cinco ou seis. Se sobrevivessem nas primeiras horas estariam garantidos por uns três anos. Fiz tudo para isso. No canto preferido da mamãe peixe, empilhei mais pedras, como um ninho, e forrei as pedras ásperas com plantinhas para não arranharem os filhotes e propiciar-lhes maior chance de escapar dos grandes. Medi a temperatura e verifiquei o oxigênio, estavam perfeitos.
 A peixinha preta me seguia e observava. Seus olhos agradecidos não piscavam e ela não evitava minha mão que se movimentava lentamente pelo aquário.
Os caramujos ajudavam a enfeitar aquele pequeno mundo. Eles seguiam sua eterna brincadeira de armazenar oxigênio, desprender-se de onde estivessem grudados, quer no fundo, em uma planta ou vidro, e subir flutuando e rebolando até atingir a superfície. Na tona, deixavavam-se levar pela correnteza provocada pelas bolhas de ar e agarravam-se novamente a outras plantinhas. Soltavam o ar, desciam, para logo mais flutuarem novamente. E foi nesse momento que notei algo diferente, estranho, que alguém mais partilhava da festa, mas de uma maneira especialmente má. E não era o papai peixe, que despreocupadamente passeava de um canto para outro, ora ciscando o fundo, ora comendo alguma plantinha mais tenra. Enxuguei as mãos e os braços. O resto da criançada e mesmo os adultos seguiam suas vidinhas plácidas e frias, na mais perfeita harmonia, não fosse alguma coisa estranha - senti novamente - o que eriçou meus pêlos do braço. Isto era um verdadeiro aviso. Então vi o brilho maligno dos olhos da peixinha vermelha. Suas escamas eram ruivas e brilhantes. Ela era linda! Mesmo assim não conseguiu atrair o macho - pensei. E seus olhos faiscavam! Bati o dedo no vidro do aquário e sussurrei:
— Psiu! Vá com calma, minha pequena.
Ela me olhou, voltou-se e foi embora nadando displicentemente. Estranhei, mas no momento não pude perceber todo o mal que se desencadeava ali. Enfim, cansada, esperando pelo evento, deixei o aquário em equilíbrio e, com a consciência tranquila, apaguei a luz artificial. Somente restou a luz da lua que brilhava pelo vão da janela. Os peixinhos deveriam nascer nesta noite. Fui dormir No outro dia,antesdo café,corri para observar os filhotes - mas não havia nenhum! Tudo calmo no aquário, tudo estranhamente quieto, a não ser os olhos da mamãe peixe - já magrinha, pois os filhotes já haviam nascido. Seus olhos porém, estavam arregalados de medo, aflitos, desesperados! Alguma coisa não estava bem. Senti novamente um arrepio. O peixe macho, indiferente seguia sua vida. Ah! A outra peixinha, a vermelha, pobrezinha, o que teria lhe acontecido? Toda machucadinha, suas escamas estavam raspadinhas. Corri para pegar um remédio e com o puçá puxei com delicadeza aquele corpinho todo arranhado. Foi aí que vi o ninho de algas todo desfeito, e as pedras ásperas esparramadas em volta. Os filhotes não nasceram em lugar seguro e resguardado! Por isso tinham sido comidos! Todos!
Num minuto entendi tudo! Continuei a puxar delicada-mente o puçá com a peixinha vermelha dentro, e des-cansei o seu cabo na beirada do aquário.

Fui tomar o meu café.




Escrito por Cármen Rocha às 12h30
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